Tristes notícias da França

01-01-2009 14:14

Os jornais europeus e americanos não se cansam de espalhar os horrores que vêm acontecendo na França.

 

Indignados fazem de seu ultraje um pódio e discursam sobre as misérias do espírito gálico.

Alguém tem que dizer umas boas verdades a esses hipócritas. Não tenho qualificações para me colocar nessa posição, limito-me a catar nas folhas e na Internet os dados principais da tertúlia.

Tudo começou, claro, nos Estados Unidos, onde uma dessas organizações que não têm mais o que fazer constitui-se defensora dos irracionais e se auto-denominou People for the Ethical Treatment Of Animals (Gente a Favor de um Tratamento Ético de Animais).

Essa "gente" possui, com certeza, mais membros e defensores do que aqueles que se manifestam por um tratamento ético de iraquianos.

Sua mais recente campanha virou um pequeno filme narrado por sir Roger Moore, de 78 anos, quase ator e ex-007 no cinema.

No filme em questão, mostra-se, em detalhes gráficos, o processo de engorda dos patos e gansos que, super-alimentados com milho, por processo industrial, via tubos forçados pela sua goela adentro, vão transformar seus tímidos fígados em iguarias que fazem as delícias de gastrônomos do mundo inteiro.

O velho canastrão encerra o filmeco conclamando todos a nunca provarem do foie gras.

Pobres ignorantes! Como nunca passaram a 10 metros, digamos, do Le foie gras et la fleur de truffe sur lit de gelée, digamos, na "Brasserie Flo", número 77, cour des Petites-Écuries, no Dixiéme (ah, quando eu ainda viajava a Paris! Ah, quando ainda havia Paris!), não sabem e continuarão a não saber o que estão perdendo.

Creio que foi A.T. Newby quem disse que "degustar um feuilleté de foie gras à la pomme é como ouvir um concerto para piano de Mozart executado por um anjo numa harpa submersa".

Os franceses, povo politizado, responderam do alto de seu Parlamento: decretaram o foie gras instituição nacional, frisaram a irracionalidade de patos, gansos e americanos e daí suspenderam os trabalhos para irem beber e comer do bom e do melhor, que eles ainda entendem disso.

 

Informações: Ivan Lessa

 

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